domingo, 31 de maio de 2015

Questões de uma cão homossexual.

Quando estou num grupo de pessoas em ambiente social e festivo, deparo-me e interajo com homens lindíssimos e inteligentes. Sou homem, e homens atraem-me. Dou por mim numa cilada onde a questão é, o que faço? Pessoas são como cães quando convivem juntas, cheira-se aquele assunto ali, segue-se o rasto do outro que quis ir à casa-de-banho e vais atrás, abana-se o rabo quando estamos perante o individuo que gostamos, lambem-se pescoços, enfim... cada qual como cada cão, mas cada um muito dono da sua própria raça. Alguns com pedigree, outros nem tanto. Mas, qual é a minha raça? Uma coisa é certa... sou um cão homossexual! Cão que me cheirar o sexo é isso que descobre!
A realidade é que quando estou na situação em que a minha orientação sexual é exposta quase que publicamente, no contexto social em que estou enquadrado, há uma resposta minha à curiosidade de quem se questiona, que é dizer que sou. Não me preocupo com o mau achar sobre isso. Preocupo-me com o respeito. Sendo eu a praticá-lo aos outros e os outros a mim. É com isso que me preocupo em relação à homossexualidade, é o preconceito. Não quero que me façam más leituras, portanto a boa leitura de uma mensagem passa por quem a conta e não só de quem a lê, e eu tenciono seguramente em ser claro no que me representa. Isto é ponto acento, o que não assenta tanto é a curiosidade de saber um pouco mais. Típico do ser humano. Afinal, qual é o alarido acerca do preconceito sofrido pelo gay? Gay e Hetero junto não se entende? Vamos fazer sexo, é suposto? Não! Para socializar basta ter dois ouvidos e uma boca. Ou mãos para quem fala através de língua gestual. Afinal, qual é o problema? É a curiosidade! A curiosidade tanto atrai como afasta os cães. Se lhe cheirar bem vai atrás, se lhe assustar, foge. Os heteros têm medo dos gays, por causa da curiosidade. Acho isso tão "bitch, please!"! Ser gay não é igual a ser desrespeitoso. Tenham calma senhores, ninguém vos morde! Ou será que te morderia? Deixo isso para outra imaginação.

domingo, 27 de abril de 2014

Confissões da miuda do bloco C.

Todos os dias pareciam iguais desde que eu vim parar a esta cela. Há a luz que entra na janela que às vezes me vai regulando as horas que são, reparo principalmente quando passo as noites acordada e apercebo-me o quanto faltei ao sono, quando me apercebo que já há aurora lá fora. Mais um novo dia que está a começar, e eu imaginar o que poderá haver de novo hoje, neste buraco onde passo todos os dias, às custas daquele maldito.